Saiba quais os equipamentos que exigem mais manutenção.

Não basta ter um barco, é preciso cuidar dele! A máxima deveria fazer parte do dia-a-dia de todos os donos de barcos. E por uma boa razão. Imagine-se num passeio com a família, a bordo de uma embarcação que, por algum motivo, fi cou cerca de um mês sem ir para a água — o que é bem freqüente por sinal e algo arriscado, como se verá mais adiante. De repente, no meio do mar, o motor simplesmente pára de funcionar, provocando preocupação, principalmente quando todo mundo percebe que o experiente comandante (ou seja, você!) não faz a mínima idéia do que aconteceu com ele. Só ao pedir ajuda e, depois, pagar um mecânico para resolver o problema é que você descobre, da pior maneira, qual é o preço da imprevidência. Sim, seu motor não estava com a revisão em dia. Pior: não era usado há tempos — e barcos precisam navegar com freqüência, sob o risco de o motor entupir e outros equipamentos pifarem, sem qualquer aviso prévio. Moral da história: prevenir-se em terra firme é uma questão de inteligência, no mar, é um fator de sobrevivência. Não se brinca com barcos sem manutenção.

Como a dura realidade vive ensinando, para ampliar a vida útil de um barco é preciso seguir um programa de manutenção preventiva e fazer revisões periódicas nas partes mecânicas — motores, principalmente. No primeiro caso, os reparos, muitas vezes, podem ser feitos por você mesmo, sem o custo de mão-de-obra especializada. São medidas simples, como a troca dos anodos de sacrifício, pintura do fundo do casco, lubrificação do sistema de direção e limpeza do tanque de combustível. Já as revisões periódicas do motor exigem gente com conhecimento e responsabilidade. Mas são fundamentais. De acordo com especialistas na área, o custo de um check up de motor equivale a apenas cerca de 10% do valor que se gastaria se ele quebrasse por falta, justamente, de revisão. Ou seja, você não fica sem o barco na hora errada e ainda faz economia — sem falar na desvalorização de sua lancha ou veleiro por falta de manutenção, o que pode ser de até 20%, em relação a um outro barco igual e bem conservado. Afinal, embarcações, ao contrário dos automóveis, são avaliadas pelo seu estado e não necessariamente pela sua idade ou pelo tempo de uso.

Convencido? Então, confira quais são os principais equipamentos que exigem manutenção freqüente nos barcos a motor.

Tanque
Se o seu motor for a diesel, limpe, uma vez por ano, o tanque de combustível. Isso evita, principalmente, o entupimento dos filtros.

Extintor
Dê uma olhadinha você mesmo para certificar que ele esteja no prazo de validade.

Salvatagem
Dedique atenção especial ao equipamento de salvatagem, como bóias, foguetes e sinalizadores. Eles devem estar sempre em bom estado e na validade.

Luzes
Sempre que possível, teste o estado das luzes de navegação. É uma maneira de evitar acidentes noturnos.

Direção
Lubrificar o sistema de direção é fácil e ajuda a manter o volante sempre em bom estado.

Sanitários
Para não haver surpresas durante o passeio, dê descarga em todos eles para checar se funcionam.

Cunhos
A cada passeio, veja se os cunhos, amarradores e olhais de amarração não estão frouxos.

Gaiútas e vigias
Não tenha vergonha de jogar baldes de água sobre as gaiútas e vigias para testar se o vedamento está em bom estado.

Porão
Limpe o porão você mesmo toda semana. Isso evita que a bomba de esgotamento entupa.

Conexões
Cheque mangueiras, conexões e abraçadeiras. Se estiverem gastas ou com má aparência, troque-as imediatamente. Custam pouco, mas podem comprometer a segurança a bordo.

Casco
Não basta lavar com água doce. A presença de trincas, bolhas ou fissuras na pintura do fundo do casco podem indicar infiltrações.

Anodos
É fundamental trocá-los a cada seis meses, para evitar que a corrosão se espalhe pelo seu barco.

Rotor
É uma das peças mais importantes do motor. Deve ser trocada, no máximo, a cada seis meses, sob o risco de superaquecer e pifar o motor.

Baterias
Para que elas funcionem bem, faça uma inspeção nos terminais e conectores, pelo menos, a cada seis meses.

Filltros
Os filtros de água salgada e de combustível devem ser limpos, para evitar panes no motor.

Fiações elétricas
Verifique se a fiação está bem presa e se o quadro elétrico está em boas condições. Curtos-circuitos são uma das causas mais comuns de incêndios a bordo.

Cabine
Areje a cabine uma vez por semana, para evitar mau cheiro e mofo a bordo.

Âncora
As soldas da âncora, bem como o estado da sua corrente e o mecanismo de recolhimento, são itens de segurança e devem ser checados, pelo menos, a cada 15 dias.

Remover cracas e pintar o fundo permitem uma melhor performance do barco

A performance do seu barco não anda aquela maravilha? Então, atenção. O problema pode estar num simples detalhe: nas cracas presas ao fundo do casco! Elas aumentam barbaramente o atrito do casco com a água e, conseqüentemente, afetam sua a hidrodinâmica, roubando um bocado de desempenho. Quanto maior for o arrasto hidrodinâmico (ou seja, o esforço para se locomover), maiores serão o esforço do motor e o consumo de combustível para o barco se movimentar. E combustível custa dinheiro. Portanto, cracas presas ao casco significam, também, rombos no seu bolso. A sorte é que elas não aparecem da noite para o dia, embora sejam bem freqüentes nos barcos que ficam guardados na água, como a maioria dos veleiros, por exemplo. São precedidas por uma camada de limo, que age como uma espécie de berço para uma futura colônia de algas, que, por sua vez, atraem as cracas. O problema é que elas se reproduzem rapidamente. Crescem em pouquíssimo tempo e, se não forem retiradas a tempo, passam a ser uma real ameaça ao casco. Com poucas semanas de vida, podem ser retiradas com simples jatos d’água com pressão, tendo, porém, o cuidado de não danificar o gelcoat do casco. Mas se já estiverem crescidas, só mesmo raspando com uma espátula. O melhor remédio, no entanto, ainda é a boa e velha prevenção, pintando o fundo do casco uma vez por ano, com tinta própria para isso, chamada de intiincrustante ou, popularmente, “tinta venenosa”, embora mal mesmo ela só faça para as cracas. Como mostramos aqui.

Dica de quem sabe
É necessário um bom instrumento para mexer a tinta antes do uso. Aquela velha chave de fenda não serve. Uma espátula ou um pedaço de madeira é o mais indicado.

Não altere a composição química da tinta com solventes ou outras substâncias, como pó de cobre, que a deixa mais pesada e fácil de soltar. Use protetor para os olhos, porque a tinta respinga e pode ser perigosa.

Pela mesma razão, use também luvas e proteção para os braços e as pernas. A tinta pode causar irritação na pele. Não tenha pressa. Até 80% do tempo da operação pode ser gasto só na aplicação dos primers e do antiincrustante. Eles são a chave para um acabamento de sucesso.


De quanta tinta eu preciso?
Calcular a quantidade exata de antiincrustante necessária para a pintura do fundo de um barco não é nada fácil. Mas existe um cálculo valioso para evitar desperdícios, até porque esse tipo de tinta costuma ser bem caro. Primeiro, meça o comprimento da linha d’água, da boca e do calado do barco. Depois, use uma das fórmulas abaixo para determinar a área (em metros quadrados) da superfície a ser pintada. Com esse dado, você saberá quantos litros comprar, já que um litro de tinta, em geral, dá para cerca de cinco metros quadrados. Mas, atenção: é preciso verificar a quantidade de demãos exigida pelo fabricante da tinta. Em geral, são três.

Se for uma lancha:
Soma de boca + calado X comprimento
da linha d’água = área em m²

Se for um veleiro:
Soma de boca + calado X 0,75
X comprimento da linha d’água = área em m²

Passo a passo
1. Regra número 1: inicie o trabalho imediatamente após o barco ter sido retirado da água. Ainda úmidas, as cracas saem com mais facilidade.

2. Com uma espátula afiada ou um raspador (de preferência, com os cantos arredondados, para não danificar o gelcoat), tire toda a sujeira abaixo da linha d’água. O raspador do tipo “puxar” normalmente permite mais controle do que o de empurrar.

3. Na seqüência, pegue uma mangueira comum ou uma especial de alta pressão (mas com água em abundância) e dê um banho no casco, para tirar todo o excesso e facilitar o lixamento. Não economize na água. Quanto mais, melhor.

4. A área a ser pintada deve ser demarcada com fita adesiva, para a pintura não borrar a parte de cima. A dica é colar uma fita um pouco acima da real linha d’água, já que, com o balanço do barco, a posição dela pode variar.

5. Depois, com uma lixa d’água número 60-120 (própria para remover restos de tinta velha), esfregue toda a superfície. Para conseguir uma superfície mais lisa, é melhor usar um bloco de madeira sob a lixa. Deixe uma mangueira d´água à mão, para facilitar o lixamento. Só pare de lixar quando o gelcoat aparecer.

6. Com o casco já lixado, pegue um rolo de pêlos médios e um pincel e aplique o primer, produto que produz uma boa aderência à tinta antiincrustante, que virá a seguir. A pintura deve ter a espessura recomendada pelo fabricante. Caso contrário, não surtirá efeito.

7. Três horas após a secagem, aplique o antiincrustante com um novo rolo, que também deve ter pêlos médios. A quantidade de demãos varia de uma marca para outra de tinta e está explicada na embalagem de cada produto. Mas, geralmente, não passa de três. Observe na embalagem do galão o intervalo mínimo de tempo entre as demãos.

8. Por fim, espere 48 horas para colocar o barco novamente na água. É o tempo exato para que o primer faça a aderência no antiincrustante e não perca sua propriedade, que é a de evitar futuras cracas pelo menos durante um ano, que é quanto dura o efeito de uma pintura.

Marinha do Brasil exige Certificado de Tinta Antiincrustante a bordo de embarcações

Poucos conhecem a determinação da Marinha do Brasil que, em acordo com a Convenção Internacional de Controle de Sistemas Antiincrustantes, exige que toda e qualquer embarcação - incluem-se as categorias de esporte recreio, pesca e transporte - que façam uso de sistemas antiincrustantes, portem a bordo o Certificado de Conformidade, emitido pelo fabricante da tinta e endossado pelo proprietário da embarcação.

Esta norma está regida pela Portaria Ministerial numero 079 DPC de 30 de julho de 2007, e vigora desde 01 de novembro de 2007, baseada na reunião MEPC 55 do Comitê de Proteção do Meio Ambiente Marinho (MEPC) da Organização Marítima Internacional (IMO)

Ainda, segundo a NORMAN 23: “Aplica-se às embarcações brasileiras cujas obras vivas necessitam ser pintadas com sistemas Antiincrustante e às embarcações estrangeiras que docarem no Brasil para pintura das obras vivas, ou estiverem afretadas em regime de A.I.T. (Atestado de Inscrição Temporária).“

O não cumprimento desta exigência é passível de multa por infração, e serão determinadas em função da gravidade da infração, coerente com as demais penalidades aplicadas na navegação e de acordo com os valores estabelecidos de acordo com o art. 70 da lei 9605/1998 combinado com o art. 41 do decreto 3174/1999, podendo variar entre R$ 1.000,00 até R$ 50.000.000,00 a serem adotadas pela autoridade marítima (Agentes da autoridade marítima e ou Diretor de Portos e Costas)

Os responsáveis por esta penalidade são: (Autor Material)
A - Proprietário da embarcação, pessoa física ou jurídica;
B - Armadores ou Operadores da embarcação;
C - Pessoa Física ou Jurídica, de direito publico ou privado, que legalmente represente a embarcação.